A eleição presidencial de 2022 está bem longe de ser resolvida. Para começar, não deverá ser binária e maniqueísta como desejam Bolsonaro e Lula — mas deverá ser disputada por pelo menos cinco candidatos, de esquerda e de direita (os supra citados), de centro esquerda (Ciro), do Centro liberal (Tasso?) e da centro-direita (Moro?).

Ademais, Lula não será candidato. Caso aposta que não será. Ele vai fazer onda e oba oba  enquanto puder, mas na Hora H vai entregar o bastão para outro petista, provavelmente Jaques Wagner. Lula está com a saúde debilitada. Continua tentando controlar o câncer, já fez 19 sessões de quimioterapia e toma diariamente quimioterapia oral. Deve chegar vivo no final da eleição, mas não tem mais forças para fazer campanha de rua nem ganha no voto de Bolsonaro. Aposto que vai optar por entrar para a história como um mito, sem essa derrota final.

A reeleição de Bolsonaro, por sua vez, depende da economia. A agricultura está excepcional, contudo, não gera emprego. Ademais, os produtores estão deixando os lucros recordes no exterior. As estatais também estão indo muito bem, gerando lucro como há muito não acontecia. Mas também não geram novos empregos e, pior, Paulo Guedes se esforça para privatizá-las. A Bolsa bate recordes, mas só quem lucra é quem já é rico.

O que gera emprego é o comércio (péssimo com a pandemia) e a construção civil, com sinais de retomada no setor privado, da classe média empregada.

Devemos entrar 2022 com 20 milhões de desempregados e entre 25 e 30 milhões de famintos. Só investimentos públicos pesados em obras, o velho modelo new deal, pode amenizar a situação. Mas seria uma heresia para as convicções religiosas de Guedes. Ou seja, Guedes tende a provocar a derrota de Bolsonaro.

Mas quem deve ganhar?

O nome ainda não surgiu, mas são enormes as possibilidades de aparecer algo de novo. Quem? Ora, ora, ainda não sabemos, repito, mas são maiores as chances de ser alguém conservador, na centro-direita, seduzindo aquela massa que apostou em Bolsonaro contra o PT mas agora se sente órfã.

Lembro que a eleição de 1989 começou com Brizola com 65% dos votos,  Fernando Collor só apareceu em abril e, até setembro, o establishment ainda tentava empinar Mário Covas. A eleição de 1994 começou com Lula com quase 70% e Fernando Henrique só apareceria em junho.

A eleição de 2022 abre com Bolsonaro e Lula entre 25% e 30% cada um. Contudo, com mais de 40% da população na categoria nem-nem, nem um nem outro. São grandes as chances de, na reta final, surgir uma onda da turma do nem-nem em cima de algum nome que ainda não conhecemos.