Bastaram duas caipirinhas para que dona Margarida, minha quase-santa mãezinha, ficasse com a memória afiada e a língua solta. A conversa girava em torno de um post que publiquei no Facebook sobre Agildo Barata, pai do comediante Agildo Ribeiro.

Contei que o primo Studart Erico, o Ericão, comentou no post que seu pai Ênio era muito amigo de Agildo Filho, que sempre se encontravam e que ele, Érico, esteve em um desses encontros do Esch Café, no Leblon. Revelou ainda que o grande amigo de Agildo, desde o Colégio Militar, foi nosso tio Marcelo Gládio. Eram tão amigos que chegaram a dividir mulheres em festinhas de arromba.

Eis que dona Margarida confirma a parte picante da história. Mais, revela que os três amigos, Agildo, Gladio e Ênio, frequentavam muito o cabaré da Rua Alice, no bairro das Laranjeiras, dentre outras casas de tolerância menos afamadas. Isso foi nos tempos de alunos do Colégio Militar, ressalvou.

E o pior vem agora. Contou que Velho Bugre, meu quase-santo paizinho, tinha um retrato na parede do Cabaré da Margot. “Veja só, a cafetina mais famosa de Fortaleza tinha meu nome, é mole?”. 

As revelações são mais graves ainda. Tio Heber, o irmão mais velho, também tinha retrato de benemérito no Cabaret da Margot. Era extremamente prestigiado na Casa. Certa vez levou meu pai (que ainda namorava minha mãe) a uma festa de aniversário da Margot. Na porta, foi recebido por um grupo de meninas eufóricas. O companheiro da cafetina foi buscá-lo e o conduziu para a mesa de honra. Meu pai foi junto.

“Minha família era toda de homens raparigueiros. Meu marido também. Mas aprendi a tolerar os homens; eram outros tempos”.