Não se pode acreditar na possibilidade de um jornalista  ser neutro ou isento. Nem mesmo um historiador. Ou ainda um médico, biólogo, arquiteto ou seja lá qual profissão que nos obrigue a pensar e a tomar decisões. Pois até ser neutro ou isento será sempre uma posição: o lado do muro. O pensador Walter Benjamin vai mais longe e afirma que a suposta neutralidade, científica ou política, na verdade seria tomar posição ao lado dos vencedores, do status quo.

Mas acredito na honestidade intelectual, na possibilidade de moderação de um jornalista, de sabedoria e, sobretudo, de equilíbrio, de ouvir todas as partes, registrá-las e, por fim, se posicionar, emitindo honesta e claramente sua opinião. É isso que busco, inclusive como historiador. Por vezes acho que consigo. Mas, como humano que sou, às vezes não.

Isto posto, meus caros petistas e bolsonaristas, não me venham com esse discurso de cobrar isenção da imprensa. Pois o que vocês cobram é adesão, uma imprensa chapa branca, omissa, surda, cega e muda. Se querem noticiário cúmplice do poder, então organizem melhor a Agência Brasil, a EBC e a Hora do Brasil. Pois o papel principal da imprensa nas Democracias é interpretar e criticar o poder estabelecido.