Pensem no tempo, meus caros amigos. Tudo tem seu próprio tempo. E na Bíblia está escrito que há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de chorar e de sorrir; de falar e de silenciar, de construir e de desfazer. Ora é tempo de se recolher, refletir e se reinventar. Mas há sobretudo o tempo de expandir e, quem sabe?, tempo de amar.

Sempre gostei de observar o tempo passando. As estações do ano são muito marcantes. Tempo de seca e tempo de chuva, de plantar e de colher. É emocionante o tempo de florescer. As flores desabrocham com todas as cores, odores e sabores.

De todas as idiossincrasias do tempo, a alvorada é a mais significativa. Trata-se de um espetáculo tão lindo, mas que acontece justamente quando a maior parte das pessoas está dormindo. É naqueles instantes mágicos, quando a luz do Sol rompe as trevas da madrugada, quando emergimos das profundezas dos sonhos para as luzes da razão, que o ciclo da vida pode ser melhor compreendido.

O nascimento do dia é sempre intenso. Mas todo dia não é o mesmo tempo. Nem as mesmas emoções ou as mesmas lembranças. Como na conhecida metáfora do rio proposta por Heráclito, a paisagem é sempre igual, mas as águas de hoje jamais serão as mesmas de ontem.

Assim também é o nascer do Sol. Vem aspergindo esperanças. De trabalho, de amores, de acabar com todas as dores e colher apenas flores. Mas os frutos que desabrocharão amanhã vão depender das sementes que plantamos ontem.

Podemos plantar nosso Destino? Será que podemos controlar os acontecimentos do dia que chega? Até que ponto é possível participar da construção da trama da História? Dormimos sem respostas. E na manhã seguinte queremos recomeçar. E nos cobramos pelo que não terminamos.

Se levantamos todo dia, é porque refletimos sobre o passado. Buscamos em nossos erros e acertos a compreensão do presente com o objetivo de construir o futuro. Se caminhamos todo o dia, é porque nutrimos a Esperança de conhecer, ainda nesta vida, aquele maravilhoso lugar ao qual chamamos Paraíso.

Assim, quando o Sol desponta no horizonte e encontra algum idealista ou sonhador de pé, ocorre um fenômeno que parece físico, mas em verdade, é metafísico – no qual as sombras do ontem projetam-se sobre o dia de hoje, apontando a direção das luzes do amanhã. Então passado, presente e futuro se entrelaçam, fazendo de toda alvorada a encruzilhada mágica da recordação com a Esperança.