Trump perde as eleições e se comporta como um lunático
Por Hugo Studart
Donald Trump está questionando a legitimidade do sistema eleitoral americano com extrema virulência, mas só depois de perder. É o mesmo há quase 250 anos, obviamente anacrônico, complexo, indireto, que por vezes coloca no poder aquele que teve menos votos do que o adversário. Mas foi o mesmo sistema que elevou Trump ao poder em 2016. Na ocasião, ele não questionou.
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Teve quatro anos para propor uma emenda constitucional e não propôs. Só agora, depois de estar explícito que obteve menos votos do que o adversário, vem questionar. Ele não está questionando apenas estas eleições, pontualmente, mas o sistema e, por conseguinte, a legitimidade da Democracia na América — e tomo aqui emprestado o título da obra clássica de Tocqueville.
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Em 2020 houve um plebiscito a respeito de Trump. Arrumaram um adversário sem qualquer carisma, mas que representa exatamente o Sistema. Biden é senador desde os 29 anos, foi duas vezes vice presidente de Obama, enfim, é O Sistema, O Establishment.
Trump conseguiu algumas vitórias ao longo de seu mandato. As principais, melhorar a economia e injetar um pouco de Viagra no processo em curso, longo e irreversível, de declínio e queda do Império Americano.
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Mas foi um desastre no combate a pandemia. Também, jogou errado nos conflitos raciais deste ano, a tal ponto que cerca de 80% dos negros votaram contra ele. Foi por demais histrionico e agressivo no estilo, esticou por demais a corda dos conflitos internos e externos.
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Ao fim e ao cabo, construiu um plebiscito sobre sua excêntrica pessoa. Perdeu. Foi por pouco, muito pouco, mas perdeu. Se tivesse errado um pouco menos em quaisquer dos quesitos supracitados, teria ganho. Por pouco, muito pouco, mas teria sido o vencedor.
Agora entra para a História como um mau perdedor, criando uma crise desnecessária para a Democracia na América. Pior, deixa como principal legado uma Nação dividida.