Por Hugo Studart
Consolidou-se na direita brasileira o mito de que Trump seria melhor para nós e Biden seria péssimo. Contudo, de acordo com a dialética do conflito de Kant, a recíproca pode ser a mais verdadeira. A provável vitória de Biden pode até ser boa para o Brasil. Para começar, deve levar Bolsonaro a rever seus conceitos e a fazer novos planos.
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Trump deve perder porque esticou por demais a corda dos conflitos internos. Cada dia uma refrega. Outra das causas são os atritos desnecessários que ele criou com os militares. Isso está claro em todas as enquetes: ele perdeu nesta reta final o apoio das Forças Armadas, instituição de grande prestígio na América.
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Enfim, Bolsonaro pode ser obrigado a buscar melhor convivência com o centro conservador, afastando-se da direita extremada, estratégia que já vinha experimentando. Mas vai ser obrigado, sobretudo, a buscar melhorar a performance de seu governo, bem fraquinha em muitos setores como Relações Exteriores, Meio Ambiente e, ainda, a economia, onde um só homem acumula seis ministérios com desempenho entre medíocre e calamitoso.
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Em sua dialética, Kant defende a ideia de que conflitos e guerras podem até ser positivos, pois obrigam os homens e as Nações a buscar a racionalidade, fazer planejamento tático e estratégico e a encontrar a mais eficiência em suas ações. É melhorar ou ser derrotado.
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Biden ameaça endurecer com o Brasil, usando como suposto motivo a questão do Meio Ambiente. Assim, Bolsonaro pode ser obrigado a rearrumar a casa, melhorar o desempenho de seu governo e fazer novas alianças políticas. É isso, ou arriscar ter em 2022 o mesmo desfecho de Trump em 2020. O tiro de advertência foi dado na América.