Por Hugo Studart
“Se eu puder escolher,
prefiro ser chamado de professor”
Certa vez fui me encontrar com o saudoso Roberto Campos. Preparava um perfil jornalístico sobre sua figura esqualida e macambuzia. Era um sujeito tão formal quanto genial, pouco afeito a sorrisos, quanto mais a toques. Era teólogo, filósofo, economista, diplomata, executivo, politico e poeta, tudo em uma só pessoa.
Conheci-o quando senador pelo Mato Grosso, uma boa fonte de análise e informações. Naquele momento, era deputado federal pelo Rio de Janeiro. Marcou o encontro no Salão Verde da Câmara.
Me atrasei uns 2 ou 3 minutos. Já me esperava sentado. Cumprimentei-o.
“Como vai, senador? Opa, perdão, deputado”.
Descobri ali que não sabia como trata-lo de forma adequada. Então perguntei:
“O Sr. prefere ser tratado por deputado, senador, ministro ou embaixador?”
Muito sereno, Bob foi levantando a cabeça ate olhar nos meus olhos, coisa rara. Então tocou carinhosamente no meu braço, algo mais raro ainda, um toque, e respondeu.
“Studart, se eu puder escolher, prefiro ser chamado de professor”.
Professor, isso mesmo. Ele fora tudo de relevante na vida, homem poderoso, culto, refinado… um gênio. Mas nunca fora professor. Mas se pudesse escolher, gostaria de ser chamado de professor.
Tempos depois entrei pela primeira vez em sala de aula. Amei, pensei ter nascido para isso.
Assim, meu caros amigos, se eu puder escolher, tambem prefiro ser tratado por professor”.