Criando um mundo mais sustentável  daqui de minha casa
Por Hugo Studart
Minha filha Natasha convenceu-me a mudar de posição quanto à reciclagem de lixo. Dias atrás publiquei um post criticando a prática, chamando-a de auto-engano e acusando-a de estímulo ao trabalho degradante. Fui criticado em mais de 50 comentários (respeitosos).
Continuo forte crítico do conceito de “sustentabilidade”, lançado na virada dos anos 1980/90 pelo capitalismo global como proposta de redução de danos ou, em outra palavras, de se tentar adiar o colapso dos recursos naturais do Planeta.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ocorre que, desde 1992, os recursos extraídos para consumo selvagem das nações desenvolvidas são maiores do que a capacidade de reposição da Natureza. Assim, já estamos em colapso há quase 30 anos. Só uma ação efetiva, forte e coordenada dos governos (plantando trilhões de árvores, por exemplo, ou repondo o plancton dos oceanos) pode reverter a atual espiral destrutiva e o aquecimento global.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Dentro desse contexto, o conceito de sustentabilidade já nasceu superado, não passa de discurso embusteiro das nações ricas para nada fazerem de efetivo e jogarem a responsabilidade em cima das nações emergentes. Reciclagem de lixo é uma das práticas pregadas pela tal sustentabilidade. Na minha opinião, reciclar sem plantar é auto-engano da classe média.
Natasha, contudo, me apresentou argumentos convincentes. Lembrou que, para começar, o lixo planetário é um problema concreto a ser resolvido. Os governos têm que fazer sua parte, sim!, construindo usinas de tratamento de resíduos orgânicos e de reciclagem de sólidos — a exemplo do Japão.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Mas enquanto os governos não fazem a coisa certa, é preciso que o cidadão comum faça sua parte. Pode até ser que o impacto da reciclagem caseira seja irrelevante diante da imensidão do que é preciso fazer salvar o Planeta. Contudo, na pior da hipóteses, a prática da separação dos resíduos ajuda na conscientização das crianças para a causa ecológica.
Outra questão relevante é quanto ao trabalho degradante dos catadores de lixo. Sim, é degradante, mas é uma realidade que existe no Brasil, lembra Natasha. O certo, o perfeito, é que sejam contratados pelos governos, com a devida proteção trabalhista, tal qual os garis, como parte de uma cadeia da limpeza urbana a ser criada.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Mas enquanto o ideal não vem, que pelo menos nós, os cidadãos, ajudemos esses “esquecidos” separando previamente os sólidos recicláveis do material orgânico, argumentou ainda minha filha.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Assim, meus caros amigos, venho cá humilde e publicamente retificar minhas opiniões sobre o tema.
Aproveito para compartilhar uma vídeo-aula de conscientização sobre reciclagem de lixo que a professora Natasha de Albuquerque Corrêa, Mestre em Artes Plásticas pela Universidade de Brasília, preparou para seus alunos de 3 a 7 anos.
Com vocês, a Tia Tashinha, desta vez ajudada pela Tia Peixinha. Se gostarem, compartilhem e sigam o canal.