Por Hugo Studart
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Há muito busco o que os antigos chamavam de SENTIDO DA VIDA: quem de fato sou, de onde vim, o que faço aqui, para onde devo ir? Ora busco na espiritualidade, ora na Filosofia. As melhores respostas estão na Mitologia. Nos últimos cinco anos, a procura tem sido intensa. Venho há meses fundamentando uma jornada vivencial no santuário em Pirenópolis. O projeto, em síntese, é promover o diálogo entre a Inteligência Existencial de Gardner com a Jornada do herói épico grego. Explico abaixo:
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Comecemos por aquilo que está validado como “científico” pela Academia: a teoria da Inteligências Múltiplas, desenvolvida na década de 1980 por equipe de Harvard liderada pelo prof Howard Gardner. Pela teoria, a inteligência mensurada pelo QI seria apenas uma delas, a lógica-matemática. Pois teríamos também a cinestésica, linquística, musical, espacial, corporal, intrapessoal, interpessoal. Daniel Goleman propôs sintetizar a intra e a interpessoal com o nome de Emocional. Depois, a turma de Harvard propôs mais duas inteligências, a naturalista e a existencial.
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É essa última que nos interessa: a Inteligência Existencial. Cogitou-se chamá-la de Inteligência Espiritual, mas logo recuaram. Está conceituada como “a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência”. Seria característica de líderes espirituais e de pensadores filosóficos. Em outras palavras, aqueles que buscam respostas para o tal Sentido da Vida.
A ideia é que o “existencialista” equilibre suas emoções até o ponto de desenvolver a intuição. Ao chegar a esse estado, então pode receber aquilo que os modernos chamam de “insight” e os antigos de “mensagens dos anjos”. Quase ninguém ousa pesquisar ou trabalhar nesse campo da Inteligência Existencial, pois é um entrelugar da Filosofia com a Espiritualidade, demasiadamente mística — por demais distante do campo cartesiano da tal Gestão de Pessoas.
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Meses atrás, no lusco-fusco da manhã, tive o insight de promover um diálogo entra a Inteligência Existencial, a Filosofia e, sobretudo, a Mitologia. A ideia é organizar a busca do Sentido da Vida por meio da Jornada do Épico Grego.
Todo herói da Mitologia tinha que cumprir 6 requisitos para chegar ao final de sua jornada épica.
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1º. Causa coletiva, social. Teseu, Ulisses, Hécules, todos eles tinham uma causa, um propósito, uma missão maior que seus próprios interesses. Aquiles é o único herói egocêntrico. Neste ponto, precisamos descobrir o Propósito de cada, ou seja, para que estou aqui? Pretendo trabalhar esse ponto.
2º. Apoio do rei, ou seja, um financiador. Pode ser o pai, o chefe, o patrão.
3º Tinha que ser bonito. Trata-se de uma alegoria para encantador, carismático, ou seja, alguém capaz de liderar um grupo. Aquiles era o mais bonito. Contudo, foi Ulisses quem encantou as massas e liderou a Odisseia. Aqui, é missão para consultores que trabalham Liderança.
4º Tem que vestir o elmo da racionalidade, ou seja, ter um plano estratégico lógico e criativo. Teseu usou um fio de lã para entrar no labirinto e matar o Minotauro. Ulisses teve a ideia genial do Cavalo de Tróia. Sem plano racional, o candidato a herói vira apenas um doidinho sonhador. Nesse ponto, o candidato à jornada épica precisa procurar especialistas em planejamento estratégico e arrumar um coaching.
5º Precisa ter coragem. Trata-se de uma alegoria para o controle das emoções. Ou seja, não pode se deixar dominar pelo medo (o demônio Phobos), ou a ira, a inveja, etc. Toda tragédia acontece nesse campo, quando o candidato ao épico se perde na escuridão da falta de Inteligência Emocional. Édipo se perdeu na culpa; Dédalo, na inveja; Medeia, no ciúme; Orestes, no medo, e por aí vai. Este aqui é um trabalho para toda a vida: controlar as emoções.
6º Por fim, precisa de aliança com os deuses. Não com todos, mas pelo menos com um deles. Todo herói clássico só conseguiu completar a jornada épica quando algum dos deuses lhe ajudou nos momentos de maior perigo com o sopro da “fortuna” (sorte), com um aviso ou ideia decisiva.
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Hoje chamamos os deuses de “Alteridade” e a aliança de “insights”. A nomenclatura é de somenos importância.
O relevante é buscar um método que nos ajude a desenvolver a Inteligência Existencial. Estou gostando muito da proposta metodológica que estou quase terminando, baseada na Escola Estóica — aquela que reconhecia o Cosmos em cada ser (microcosmos).
O plano é partir da Jornada Épica grega e manter diálogos com a Inteligência Emocional de Gardner, trabalhar valores e buscar a sintonia com o Fluxo e com a Intuição. Daí, será preciso aguardar a hora em que os anjos vão nos passar mensagens em forma de insights.