Li certa vez que Deus é a mais inteligente criação do homem para justificar nossa insignificância dentro do mundo; e que somos tão pequenos diante do Universo que imaginamos a existência de um Criador para nos dar algum valor diante da imensidão infinita. Então, diria a tese, criamos um guardião do qual seríamos feitos à imagem e semelhança, alguém que domina todo o Universo e que tem tempo para nos dar atenção especial. Não me recordo mais de quem li essas palavras, mas gravei.
Em sua obra Deus e o Estado, o revolucionário anarquista Bakunin registra um pensamento muito similar, grafando os Humanos com maiúscula, como se costuma grafar os nomes de Deus:
“Não foi Deus que criou os Humanos à sua imagem e semelhança; foram, outrossim, os Humanos que criaram Deus e os deuses à sua imagem e semelhança”.
Afinal, Deus existe? Vamos partir da hipótese de que exista uma força criadora do Universo, ou Cosmos. Tal qual a Escola Estoica, dos gregos, é legítimo acreditar que nós, o microcosmos, somos parte do Cosmos. Contudo, parece ser um despropósito inverter a situação e querer que Deus ou os deuses tenham as “qualidades” e “defeitos” dos humanos.
Igualmente desproposital é querer submeter Deus a nosso serviço por meio de barganhas. Se de fato Deus existe, não tem sentido algum acreditamos que o Onipresente, Onisciente e Onipotente, seja nosso serviçal, ainda mais em questões banais. Se existe, nós estamos aqui para sermos jardineiros do Éden, servi-lo, buscar moldar o mundo à sua imagem e semelhança.
E qual seria a imagem desse Criador? Ora, “a casa da meu Pai tem muitas moradas” — certa feita disse seu filho mais reconhecido.
Que cada um escolha a sua e, por meio dela, encontre a conexão sagrada. Paz, luz, amor, tolerância, união dos homens e dos povos: são conceitos que podem ser considerados no trabalho dos jardineiros. No contraponto, temos os conflitos, trevas, ódio, intolerância, divisão, sendo e este último diabólico, ou seja, do diábolo, aquele que divide.
Fato é que todos os indícios físicos apontam para a existência do Metafísico, aqui grafado, respeitosamente, com maiúscula. O “Desconhecido”, como chamava o mago Gurdjieff; o “fluxo intuitivo”, com minúsculas, como definem os fiéis do evangelho das Inteligências Múltiplas, de Harvard.
A busca do Desconhecido, o encontro com o Jardim do Éden, o Nirvana, talvez não seja um lugar a se chegar, mas sim um estado de consciência, de perfeita entrega e confiança, onde pode-se alcançar momentos onde o tempo congela e, na brevidade desse instante, temos a experiência do Sublime, da Eternidade do Universo. Sentimos estar com o Criador. Ou que o Criador está com sua criatura.
Reflexões que emergem do diálogo com minha prima

Gladis G’nata Studart.
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