Lembranças do impeachment de 2016 que ajudam a entender o circo do agora
Vale lembrar que apenas 28 mega corporações dominam o Brasil. Talvez sejam 32. São donas de quase metade da economia e financiaram 2/3 da politica. Em 2014, bancaram 2/3 das doações a Dilma, Aécio, PMDB, PT, etc. Enfim, essas empresas são as proprietárias dos políticos que estão decidindo o impeachment. O governo Lula alimentou essas empresas, promovendo a maior concentração econômica desde o golpe de 1964. Dessas, 23 foram pegas no Petrolão.
Dilma Roussef começou tocando o esquema. Depois desarvorou. Primeiro, deixou de obedecer a seu criador e imaginou que tivesse luz própria. Na sequência, deixou de obedecer às donas do Criador. Ademais, desde sempre tratou muito mal os políticos que representam o Esquema. Fez isso não por ser honesta. Mas por perder o equilíbrio emocional e o raciocínio lógico.
Mas ainda assim os Oligopólios acharam por bem manté-la à testa da Organização. Quando Helio Bicudo apresentou o pedido de impeachment, as empresas de início foram contra. Até o Bonner leu editorial no JN contra o impeachment. Mas Dilma provou total incapacidade de gerir o esquemão e manter o status quo da organização.
Foi por isso que essas 28 empresas decidiram que seria menos danoso (para elas) mudar a cabeça para que tudo permanecesse igual. Assim, a gerenta da Organização Criminosa (o Chefe é outro) está sendo trocada pelo vice-gerente da mesma Organização Criminosa. Para que tudo permaneça como está.
O resto é teatro. Poderiam ter impichado a gerenta por 57 razões, “pelo conjunto da obra”, segundo suas próprias palavras ditas ontem no Senado. Optaram pelo tal crime de responsabilidade fiscal, que de fato houve. Mas poderiam ter optado pelo crime dela ter participado do assalto de R$ 110 bilhões na Petrobrás, que de fato participou e deve acabar presa. Ou poderiam ter optado por te-la declarado com sérios problemas de saúde mental (ela está há quase dois anos sendo dopada diariamente com tarja preta para esquizofrenia).
Enfim, poderiam te-la tirado por qualquer razão.
O fato é os ilustres parlamentares não queriam tirá-la. Para eles, estava muito conveniente uma presidente fraca de fato (mas com jeito de empoderada), que a partir de 2015 passou a atender a todas as extorsões e chantagens dos deputados e senadores. Para eles, era mais vantajoso uma Dilma permeável às chantagens.
Contudo, em determinado momento, pressionados sobretudo pelo setor produtivo, as 28 empresas que controlam os parlamentares decidiram que era hora de mudar de rainha — para que tudo permanecesse igual.
Esse é o jogo. O resto, repito, é teatro.
A começar pelo discurso do golpe — marketing ideal para que sobre algumas coisa do PT nas eleições de 2018.
Em síntese, se esticar a lona em atrás vira teatro. Se jogar em cima, transforma-se em circo.
Hugo Studart