Os fragmentos que nos chegam dão conta da frieza ao extraírem o bebê de 6 meses do útero da criança de 10 anos. Não era mais um feto, mas sim um bebê totalmente formado, com grandes chances de sobreviver na incubadora e já com candidatos a pais adotivos. Os cirurgiões, cumprindo ordem judicial, consideraram que seria um montulho de carne (viva) e enfiaram uma injeção letal no coração. Aplicaram a mesma substância que veterinários usam para sacrificar cães danados. A dor é tamanha que está proibido matar sem anestesia geral. O bebê sacrificado no altar da política vulgar não teve sequer o direito de uma morte animalesca. Ninguém invocou a Lei de Proteção aos Animais para que tivesse uma execução humana.
A outra vítima dessa tragédia é uma criança de apenas 10 anos. Sua mãe, há tempos desaparecera nos becos escuros do mundo. Era a avó quem a criava. A menina não queria o filho. Chorava e gritava muito pedindo que lhe tirassem aquilo da barriga. Sua vontade foi essencial na decisão do juiz e na ação dos médicos. A menina de 10 anos teve seu nome divulgado e escrachado nas redes sociais; foi chamada de assassina por militantes que se autodeclaram defensores da vida.
Ela vinha sendo estuprada desde os seis por um monstro que habita sua família, o próprio tio, 33 anos, traficante de drogas que cumpria pena em regime semi-aberto, ora foragido. O nome e a imagem do estuprador permanecem preservados pela brava imprensa brasileira, em obsequiosa obediência a mais uma das absurdas decisões do Supremo.
Quanta dor!
Enquanto na fria e asséptica câmara de obstetrícia especialistas executavam é extraiam o indesejado, na porta do Hospital turbas de militantes de direita e de esquerda faziam uso dessas duas Vidas inocentes em proveito ideológico.
Quanta covardia! Escroques! Bichos escrotos!
Não, senhoras, nem tudo que habita vossos corpos vos pertence. Nem tudo que vos é permitido convém. Pois há situações extremas que nos obriga a tentar encontrar a sensatez de Salomão em benefício dos inocentes.
Menina, acalento a esperança de que comeces a ser efetivamente protegida pelo Estado. Que um dia superes a dor, que se transformes em uma mulher de bem e que consigas amar e ser amada a ponto de desejar ter filhos.
Bebê, que a dor da execução logo passe. Vá morar ao lado dos anjos de Luz.
Por Hugo Studart
Cristia Lima

comenta:

“Esse é só um dos casos, dos milhares que acontecem mundo afora. Outro dia você publicou algo sobre a verdade. A verdade é que somos muito hipócritas. Tudo isso é muito triste e bizarro, mas é o dia a dia de muitas crianças… essa foi exposta para o nosso julgamento. Todos somos responsáveis”.