Por Hugo Studart
Estou desolado. Com essa história de sexo sem limites nas universidades, fui buscar na memória remota quem (e quantas) namoradas e similares tive na UnB. Sim, é feio contabilizar, mas fiz-lo. Então começaram a aparecer um monte de desejos não consumados, uma ou duas dezenas de fracassos… E algumas namoradas daqueles tempos, até mesmo uma paixão de quase quatro anos, mas todas de fora da UnB. Telefonei para uma colega de turma.
“Você se lembra quem eu namorei na UnB?”.
Ela só se recordou de uma. Eu ja estava na universidade, mas ainda enfrentava os limites alheios. Ela tinha 16 anos e saiu incólume da relação. A velha amiga também estava consternada, pois só teve um único namorado naqueles tempos de UnB.
“Também faltei às aulas de Sexo Sem Limites”, disse ela.
Comentamos que eram muitas as festas, cerveja, vinho Chapinha, forró e rock pauleira. Mas nada que chegasse aos pés do que se passa na imaginação do novo ministro da Educação. Foi quando me lembrei da Gorete.
Ahhh, teve a Gorete. Era uma maluquete, tipo riponga de cabeleira cacheada, super alegre, livre e leve, que cursava algo nas Humanas, acho que Sociologia. Saímos algumas vezes, mas não chegamos a ter um namoro formal, desses de apresentar à família.
A ficancia acabou na noite em que a polícia nos pegou dentro do carro, estacionados em um matagal atrás do Centro Olímpico da UnB. Naquele tempo, usávamos os carros como motel. O Opala fechou a passagem, a sirene tocou escandalosa, os policiais jogaram o farol alto e vieram armados, um de cada lado. Pediram nossos documentos. Eu tremi. Ela reclamou dos homis.
“Ahhh seu guarda, eu estava quase gozando”.
Eles ficaram ruborizados. Gaguejaram, explicaram que só queriam nos proteger. Eu, já de roupa; ela, ainda nua. Reclamou umas três vezes da interrupção. Até que o policial chefe pediu mais uma vez desculpas e disse a ela que eles iriam embora e que poderíamos terminar.
“Ahhh não, agora já perdi o tesao”.
A partir daí, não me quis outra vez. Não explicou a razão. Acho que notou que fiquei com medo da polícia. Logo a perderia de vista. Nunca mais soube dela.
Essa foi a experiência mais próxima que vivi na Universidade de sexo sem limites, dentro de um carro estacionado em um matagal. Sou muito grato ao novo ministro por me fazer recordar da Gorete. A maluquete mais sem limites que conheci.