Por Hugo Studart
Essa cruzada contra as tais fake news é essencialmente política. Notícia deliberadamente falsa tem nome em português: BOATO. É prática desde as cavernas. Átila o Huno acossou Roma com a estratégia de espalhar boatos terríveis sobre sua maldade. As populações fugiam em pânico, sem lutar, com as fake news de que “o flagelo de Deus” se aproximava.
A Legislação brasileira tipifica esse tipo de crime. São três as categorias — calúnia, injúria e difamação — que podem estar juntas ou separadas, a depender do caso. Quando Weintraub chamou Suas Sapiências Supremas de “vagabundos”, cometeu o crime de injúria. Mas não de calúnia, em pelo menos cinco dos 11 protagonistas. Nem de difamação, pois a reunião era privada. Quando Celso de Melo chamou Bolsonaro de nazista, cometeu os crimes de calúnia, injúria e difamação — pois ele não é nazi, mas sim messiânico. Quando a starlet Sara Winter atacou o Supremo com palavras dignas de Guilherme Boulos, cometeu os crimes de injúria e de ameça, jamais de calúnia, mas talvez de difamação.
Também há literatura disponível ensinando a cometer e a esconder mentiras, como o livro abaixo.
As grandes disputas de poder sempre têm Inteligência, espionagem e toda sorte de jogo sujo. Quase todos os candidatos realmente competitivos a presidente ou a governador têm equipes secretas de Inteligência cujas funções, dentre outras, é corroer a reputação dos adversários, por quaisquer meios, principalmente espalhando boatos. José Serra sempre montou excelentes equipes, mas eram sazonais.
No caso do PT, sempre teve uma poderosa e organizada máquina de Inteligência, com equipe permanente, comandada pelo companheiro Valter Pomar, do esquema de Zé Dirceu. Os robôs ficam no exterior (acho que na América Central), com IPs quase impossíveis de identificar. É uma máquina tão eficiente que em 2018 conseguiu corroer com deslavadas mentiras todos os adversários que decerto os venceriam, a começar por Alckmin, e turbinar artificialmente a candidatura do único que eles achavam que poderiam vencer, Bolsonaro. Satanizaram tanto o adversário por meio de fake news, mas tanto, que conseguiram a façanha de lhe entregar o poder.
É óbvio que Bolsonaro também fez uso de uma máquina de boatos — ainda que a maior parte das criações anti-petistas fossem de apoiadores espontâneos, esses que agora se apresentam publicamente escrevendo “eu sou robô”. Durante a campanha eleitoral, um aliado de Bolsonaro tomou o cuidado de instalar os IPs das fake news em um escritório na Barra da Tijuca, camuflado por um jogo de antenas.
A informação de que disponho dá conta de que, depois da posse, os filhos Carlos-02 e Eduardo-03 tornaram-se tão autoconfiantes que dispensaram as camuflagens. Os adversários acusam Bolsonaro de ter montado o tal Gabinete do Ódio, que ficaria no 3º andar do Palácio do Planalto, sob o comando de Carlos e a coordenação de Felipe Martins, que dispõe de três assessores cujos nomes já foram divulgados pela imprensa.
Se o inquérito das fake news conseguir provar que, de fato, algum boato saiu dos IPs do Palácio ou do gabinete de Eduardo-03, Bolsonaro deverá ter problemas sérios pela frente. Sabemos todos que o ministro que conduz o inquérito está tomado de ódio e de sangue nos olhos. Sabemos também que Bolsonaro jamais sacrificaria um filho para tentar salvar seu mandato.
É tudo o que sei.