Por Hugo Studart
Quando chegava aos estertores da vida, Shakespeare encontrou inspiração para criar uma de suas obras mais sublimes, A Tempestade, cuja ideia central é a de que o mundo não seria mais do que um grande espetáculo, uma representação. Em determinado momento, o protagonista Próspero, mago que vive em constante tensão entre os desejos da alma e a realidade do mundo, solta uma frase que muito me emociona:
“Somos feitos da mesma matéria dos sonhos.”
Sinto-me assim, meus caros amigos, tal qual Próspero, em constante tensão entre os desejos da alma e a dura realidade da Vida.
Por vezes dou asas aos sonhos. Comporto-me como um chevallier, um cavaleiro hussardo. Busco ser sábio, sereno, sensato, sensível e, por que não?, sofisticado.
Então os olhos se abrem, a realidade transparece, o coração aperta. Emerge um ogro, o cabra sertanejo simples e sincero, mas duro, seco, áspero: como um cacto.
Deve ser assim com os geminianos. Tal qual Próspero, em constante tensão diante da tempestade.