Por Hugo Studart
Estávamos em um parquinho, sentados num banco, eu deitado em seu colo. Natasha devia ter uns 5 anos. Me fazia cafuné, quieta. De repente perguntei:
“Filha, quando você crescer vai continuar sendo assim carinhosa com o papai?”
Ela ficou em silêncio por longos segundos, pensando.
“Hummm, acho que não”.
“Uai, por que?” — tomei um susto, decerto em tom de cobrança.
“Mas pai, nenhuma menina grande dá bola para o pai”.
Hoje passei um bom pedaço da tarde deitado em seu colo, ela fazendo cafuné. Nada falei, apenas pensei o quanto podemos ser surpreendidos com o amor e o carinho que nos é destinado. Há meses não a via. Como é cruel esse isolamento.
O telefone tocou o dia inteiro, uma delícia. Começou por meu pai. Mensagens dos amigos no zap e aqui no Face, comovente. Ainda não as li todas, perdoem-me, mas prometo que consigo respondê-las.
Natasha, Bruno e Caio (meu neto) surpreenderam-me com uma conferência ao fone. Os meninos moram em São Paulo. Teve um almoço carinhoso da minha mãe, rosbife de filé com farofa de bacon. E vieram os presentes.
À noite, um caldo verde delicioso. De fechamento, um bolo de chocolate tomado de ingredientes especiais, preparado com carinho extremado.
Comoveu. Já nem me lembro mais quando cuidaram de mim. Ainda mais com tantos mimos, tamanhos detalhes para me agradar… Há muito que só eu venho cuidando. Quase chorei. Saíram lágrimas, confesso. Deve ser um resfriadinho, a friagem. Pois sertanejo não chora.
(Encontrei uma foto de quando ela tinha 15 anos)
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