Bolsonaro queria interferir na PF para proteger os filhos? Ora, não é isso que vai determinar seu eventual impeachment. A permanência ou saída antecipada do poder é uma decisão política, a ser tomada por uma conjunção de fatores, como base parlamentar, a hegemonia nas ruas, a hegemonia da narrativa, maioria no Supremo e, sobretudo, a economia. Quando todos os fatores estão contra o mandatário, aí se arruma uma besteira qualquer como um Fiat Elba ou uma pedalada fiscal.
Mas o que vai decidir o futuro de Jair Bolsonaro é o sucesso ou o fracasso da política econômica. Guedes fracassou quando tinha as condições favoráveis. Em um ano, piorou 100% a economia. Temos a metade do crescimento dos tempos de Meirelles, o real já vale menos da metade e o déficit público aumentou em quase 50%. Todos os indicadores de Guedes são entre 50% e 100% piores do que os de Meirelles. Já estávamos à deriva quando veio pandemia.
No caso de Bolsonaro, já está cumprindo seu roteiro no teatro da política para ficar até 2022: entregando cargos para os parlamentares e iniciando um diálogo com quem de fato manda no Brasil. Mas precisa arrumar um novo czar da economia se quiser mesmo ficar, pois esse que está aí já fracassou e vai nos afundar ainda mais.
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