Acabo de manter dois diálogos quase simultâneos com as jornalistas Rosângela Machado e Christiane Meireles.
Parabenizei Rosângela, repórter de O Globo, por ter conseguido se manter na trincheira dos bons furos de reportagem em um momento histórico terrível para a profissão, massacrada pelo mercado e, sobretudo, pelos radicais de esquerda e de direita. No meio do diálogo, acabei por lhe dizer que tenho muito orgulho de ter passado exatos 25 anos na Grande Imprensa, essa mesma que a turma da mordaça tem atacado tanto.
Ato contínuo, parabenizei Christiane por ter publicado um bilhete de 19 anos atrás, no qual o ex-editor-chefe na TV Paraná a parabeniza por uma reportagem sobre um lixão… “Imagem horrível, cheiro pior ainda, lugar insalubre e nada atrativo, mas ali tinha o mais precioso de uma reportagem… história de vidas”, escreve. “E hoje, mais do que nunca, acredito que todo o sentido do jornalismo está na história das pessoas… as que já aconteceram impulsionam as que vão acontecer. Já entrevistei muita gente bacana, inteligente, inspiradora… mas o que mexe com o meu coração mesmo, até hoje, são aquelas histórias anônimas como as do lixão… aonde eu comecei”.
Fiquei sensibilizado. Então contei a ela que também guardo o bilhete da entrevista de meu primeiro emprego, no Jornal do Brasil. Foi realizada, em maio de 1983, pelo chefe de Redação da Sucursal de Brasilia, João Batista Lemos, o grande jornalista, imenso caráter. Uns 15 anos depois, ele me convida a visitá-lo em casa. Tinha um presente para mim. Era uma lauda do JB, já amarelada. Escrito:
“Atenção Lemos
Carlos Hugo Studart Corrêa
(… ilegível) recém formado, 1º emprego como profissional, (… ilegível) Rio e aqui
Excepcional”
Voltei para casa e coloquei a lauda em um porta retrato para me lembrar quem eu sou. Agradeço a Christiane por me estimular a publicar a imagem.
Jornalista Hugo Studart