Quando o peão entra no rodeio ou o toureiro na arena, não pode reclamar que o touro é bravo. Ou que o Centrão quer prevaricar, que o Rodrigo Maia não se deixa adestrar, que a imprensa critica e muito menos que a oposição não deixa governar. Agora marcam passeatas para exigir que o touro fique mansinho como um boi capão.

Ora, oposição existe para fazer oposição. E sequer está conseguindo cumprir seu dever, pois seus touros estão presos ou castrados. O Centrão, todos sabem, se organizou para tentar prevaricar. Já o Rodrigo Maia, nem touro é, mas só um garrote que sequer desmamou do pai.

Acompanhei a apuração do 1º turno ao lado do professor Bolívar Lamounier, um dos mais argutos cientistas políticos do país. Abertas as urnas, perguntei quem iria ganhar, se Bolsonaro ou Haddad?

“Sem dúvida Bolsonaro” — respondeu.
“Por que?” — quis entender
“Porque essa é uma eleição para quem tem pau duro”,

Ora, ora, o capitão foi eleito justamente porque todos sabiam que o touro era extremamente bravo. As esquerdas vinham há três décadas vencendo a chamada “guerra de narrativas”; o PT havia aparelhado o Estado; o rombo nas contas públicas era colossal, o Judiciário caíra na desfaçatez e o Legislativo se transformara em uma confederação de organizações criminosas;

Mas o capitão prometia manter a ereção contra tudo e contra todos. Se a arena estivesse em ordem, ou se o touro fosse manso, o ungido para a missão de governar seria Geraldo Alckmin ou João Amoedo.

Certa feita, em Madrid, estive na Plaza del Toros. Estava lotada. Foi quando descobri que era um jogo para quem tem “cojones” — como dizem os espanhóis. O toureiro é o centro das atenções. E tem uma equipe para auxiliá-lo na missão de matar o touro — toureiros assistentes, lanceiros a cavalo e até palhaços.

E ficam todos a gritar, “olé, olé, olé!”, enquanto ele demonstra coragem e mais esperteza que o touro.

Em duas ocasiões, o touro era manso. Então começaram a gritar: “Fuera, toro, fuera toro”. E tiraram os bichanos da arena.

Houve um momento que o touro era muito bravo. O toureiro piscou. A turba notou e passou a gritar: “Fuera torero, fuera toreiro”.

Os lanceiros sangraram o touro covardemente para que a espada do toureiro terminasse o serviço. O toureiro deixou a arena sob fortes vaias. E o corpo do touro arrastado sob aplausos entusiasmados. “Olé, toro, olé toro”.

Assim é a política. O mandatário não pode vacilar em seus objetivos. Senão começam a falar em impeachment: “Fuera, torero, fuera torero”.

Agora que virou situação, o capitão tem que ser mais forte e mais articulado que os adversários. E não está difícil. O PT está preso ou capado, o Supremo está quase todo de rabo preso e o Congresso é majoritariamente formado por amadores do baixo clero. E a crise que existe é uma auto crise, provocada pelos próprios aliados.

A única coisa que se espera do toureiro é que mantenha a ereção, organize seus lanceiros na arena e mate logo esse touro. E se precisar trocar a equipe de ministros ou de líderes no Congresso, que troque. Pois todos queremos gritar olé, olé, olé. Não ficar ouvindo mimimi.