É ingenuidade pensar que as Forças Armadas brasileiras, ora comandadas por generais e coronéis intelectual e tecnicamente preparados como poucas vezes na história, forjados na doutrina da moderação, do diálogo e da lei, cogite fechar Congresso e Supremo horríveis (por mais graves que possam ser as razões) a fim de entregar poderes absolutistas a um homem emocionalmente instável, resistente a conselhos, um voluntarista que se recusa a seguir planos estratégicos ou táticos, que já provocou quase 200 brigas em um pouco mais de 500 dias, que já rompeu com as principais lideranças do Legislativo, do Judiciário e governadores, que se isolou politicamente no Brasil e na comunidade internacional, que já ganhou no exterior o apelido de Bolsonero, que se recusa a tomar ansiolíticos ou medicamentos para dormir pois “Jesus cura” e, sobretudo, que escalou como seu time de confiança, pela ordem: Carluxo, Eduardo, Jorginho Oliveira, Onyx Lorenzoni, Ernesto Araújo, Filipe Martins, Arthur e Abraham Weintraub, Edir Macedo, Silas Malafaia e que ainda tem como ideólogo Olavo de Carvalho. Além de um ministro da Economia que desdenha e não dialoga com o setor produtivo e a indústria.

Caros amigos: não estamos falando de entregar o poder autocrático para estadistas como Vargas, Castelo ou Geisel. Por mais justas que sejam as razões do Capitão, por melhores que sejam suas intenções, por maior que seja a desfaçatez de Rodrigo Maia ou Toffoli, não vai rolar.

Teremos que encontrar alguma outra solução para a crise institucional instaurada. Aposto que as Forças Armadas vão continuar emprestando apoio ao governo Bolsonaro. E que ele fica até o fim. Mas dentro da democracia.

Em Tempo – A amiga Denise Santana vem chamar a atenção: “Veja a live de Bolsonaro de hoje, 20 de abril de 2020. Olha no perfil de Bolsonaro o que ele discursou hoje. Ele disse que respeita a Constituição, o Congresso Nacional e o STF. Que ontem um grupo pedia O AI-5, mas que isso é liberdade de expressão e não é a opinião dele. Eu estou apenas narrando os fatos. Temos que analisar olhando por todos os ângulos, sem a paixão partidária. Bom dia”.