João Paulo II não apenas soube falar aos católicos, mas também se dirigiu a todos os cristãos

Por Hugo Studart

 

Espera-se uma palavra do papa. Sobre o quê? Indagaria o leitor. Espera-se que o sumo pontífice faça algo pela paz entre palestinos e israelenses, tome uma atitude firme contra a pedofilia nas hostes católicas, pregue a dignidade do trabalhador, exorte as nações ricas a transigir com os povos asfixiados pela miséria… “O papa? Mas quantas divisões tem o papa?”, perguntaria Joseph Stálin, na célebre frase dita na Conferência de Yalta (1945). Sim, o papa, esse exército de um homem só que se veste de branco, o João Paulo II ou, se preferirem, Karol Jósef Wojtyla, como foi batizado ao nascer na Polônia.

Afinal, o mundo se acostumou a ouvir as pregações desse papa nas décadas da transição para o terceiro milênio. O ano de 2002 começou com toda a imprensa ocidental especulando sobre a sucessão no Vaticano. Com a saúde abalada, o pontífice nada pôde fazer de concreto, por exemplo, quando tropas israelenses atacaram a Igreja da Natividade, em Belém. Também não teve mais forças para estancar a sangria moral provocada pelos escândalos sexuais de padres católicos norte-americanos que vieram a público no mês passado. De repente, o mundo se deu conta de que, ainda que esteja entre nós, o pastor quase nada mais pode fazer pelo rebanho. O reinado de João Paulo II parece ter chegado ao fim.

Na hierarquia das nações, João Paulo II  não passa de um sacerdote, o chefe dos católicos, cuja religião é praticada por somente 17% da população mundial. Manda de fato em alguns quarteirões da cidade de Roma (o Vaticano) e em alguns milhares de sacerdotes espalhados pelo mundo. Contudo, talvez pelo que diga, ou quem sabe pela conduta pessoal, a verdade é que não há entre os vivos nenhum outro líder político ou religioso de quem emane tanta autoridade moral. Ele é decerto um dos gigantes do cenário político mundial, como Churchill e Adenauer, talvez o último apóstolo com visões amplas e princípios universais a apontar para um novo mundo – daquela estirpe que gerou Gandhi e Martin Luther King. É intrigante entender o que faz desse homem alguém tão especial.

Por onde passa, governantes param para recebê-lo, e multidões correm para aclamá-lo. Reúne legiões que ultrapassam, com freqüência, 1 milhão de pessoas. Quase 200 milhões já foram às ruas aplaudi-lo, e seu rosto é conhecido por mais da metade da humanidade. A história ocidental registra que, antes dele, somente três homens haviam mobilizado multidões fora da terra natal – Alexandre da Macedônia, Júlio César e John Kennedy. Em seu pontificado, fez 95 viagens ao exterior e levou sua pregação a 127 povos e nações (o recordista anterior era o papa Paulo VI, com 12 viagens). Somente o apóstolo Paulo de Tarso, no início do cristianismo, havia ousado algo semelhante, ao peregrinar por todo o Império Romano levando sua mensagem. João Paulo II percorreu quase 1,2 milhão de quilômetros em linha reta. O que equivale a dar 30 voltas em torno da Terra (ou três vezes a distância até a Lua), façanha capaz de acanhar aventureiros do quilate de Marco Polo.

Somente dois grandes países não receberam a visita do sumo pontífice:  China e Rússia. Tem claro desprezo pela morte. Arriscou a vida em uma nação muçulmana, a Bósnia, a fim de rezar uma missa para 35 mil pessoas debaixo de forte nevasca. Em fins de 2001, arriscou de novo, dessa vez no Cazaquistão, talvez a derradeira viagem. Quando não conseguiu autorização para ir à China, foi pregar para alguns poucos milhares nas ilhas Fiji e Seychelles. Quando não pôde entrar na União Soviética, foi ao Gabão, Mali, Burkina Fasso. Quando constatou a miséria no Quênia, disse que o país precisava de desenvolvimento econômico. Quando viu de perto as injustiças sociais e a crise de insolvência na América Latina, disse “A dívida externa de um país não poderá nunca ser paga à custa da fome e da miséria de seu povo”. Que novidade há nisso? Na prática, criou um impasse moral que acabou levando os organismos multilaterais, como o FMI, a rever seus conceitos.

Esse Papa não apenas soube falar aos católicos, mas também se dirigiu a todos os cristãos.

Este Papa não apenas soube falar aos católicos, mas também se dirigiu a todos os cristãos.

EVANGELHO DA SALVAÇÃO.

Qualquer que seja o prisma pelo qual se olhe Wojtyla, ainda que se discorde de suas idéias, há que se admitir que estamos tendo a sorte louca de ter conhecido em vida um dos titãs da humanidade. O papa se tornou mais famoso do que os Beatles, que seriam mais famosos do que Jesus Cristo, na boutade de John Lennon. Por que ele encanta? Qual seria o conteúdo mágico de suas mensagens? Coisas simples, nada além da pregação normal do Evangelho. Parece ser alguém que conhece de perto a vida dos pobres. Geralmente fala de justiça social, com ênfase na idéia de que a solidariedade entre os povos e a fraternidade entre os homens seriam o único caminho para atingir a liberdade e a igualdade. As multidões costumam ficar estupefatas com esse homem de branco quando ele acena para um mundo melhor com a mais absoluta convicção. De resto, este sempre foi o segredo dos santos: conseguir impressionar os homens não pelo aparato de armas ou de riquezas, mas pelos predicados éticos. André Frossard, ex-dirigente do Partido Comunista Francês, certa vez observou que esse papa vindo de Cracóvia passara diretamente para a Palestina, pois diz palavras que escaparam ao abismo do tempo, como se ele fosse o 130 apóstolo.

“Ele não apenas soube falar aos católicos, mas também se dirigiu a todos os cristãos”, explica Georges Suffert, autor de Tu És Pedro, livro sobre a história dos pontífices. Prossegue: “Sem abandonar uma única letra do Evangelho, ele inventou uma linguagem acessível à imensa maioria dos viventes. Como se a maioria das autoridades políticas e religiosas tivesse aceito, tacitamente, que esse papa exprime as esperanças comuns dos homens de seu tempo. Para a história, permanece mais ou menos certo que a massa dos cristãos o aprovou, seguiu e aclamou, como jamais havia feito com um personagem religioso”.

“Num palco mundial dominado por profundas divisões econômicas, nacionais e religiosas, o papa se destaca como o único porta-voz universal dos valores universais”, escreve o vaticanista Marco Politi. “Ele oferece um evangelho de salvação e de esperança diante dos novos ídolos – egoísmo tribal, nacionalismo exacerbado, fundamentalismo feroz, lucro sem preocupação com a vida humana. Ele definiu o seu tempo como talvez nenhum outro líder o tenha feito. E, embora sua mão esteja cada vez mais cansada quando a ergue para abençoar os fiéis, ela aponta para um horizonte mais vasto.”

 

O PASTOR.

Dentre os 264 papas, talvez João Paulo II seja o que tenha acumulado mais histórias para contar, mais do que Leão Magno, que, no século 50, enfrentou Átila, o Huno, só com a força da palavra; ou mesmo Leão XIII, que, no século 19, começou a abrir a Igreja Católica à sociedade e pregou os direitos dos trabalhadores. Ele assumiu o Vaticano numa das piores crises da história, no ápice do desprestígio político. Havia um cisma branco quase consolidado: à esquerda, a Teologia da Libertação na América Latina, tentando enxertar no Evangelho a revolução socialista; à direita, o clero tradicionalista, que se recusava a acatar as reformas do Concílio Vaticano 20, iniciadas na década de 1960 por João 23. Seu sucessor, Paulo 60, tentou se equilibrar entre os dois pólos, mas conseguiu tão-somente assistir atônito à fuga em massa do rebanho. Naquele tempo, a modernidade rechaçava o cristianismo. Mal respeitava o judaísmo e o islamismo. As únicas formas de espiritualidade aceitas pela mídia e pela inteligência eram as do oriente – o zen e o esoterismo.

Um quarto de século depois, os templos católicos estão cheios (e multiplicando-se) em países como os Estados Unidos e a França. A intelectualidade francesa, por exemplo, sempre torceu o nariz para João Paulo II Em 1997, mesmo com a oposição da imprensa local, ele levou 1 milhão de fiéis com menos de 30 anos às ruas de Paris, durante um evento para a juventude. No Brasil, a igreja cresceu 150% no reinado de João Paulo II , tanto em número de paróquias quanto em ordenações. Há hoje 17 mil sacerdotes para 23 milhões de católicos realmente praticantes. Ainda é muito pouco. Contudo, há 25 anos, 90% dos brasileiros se diziam católicos, mas tinham vergonha de mostrar.

Qual foi a estratégia de João Paulo II para reverter a crise? Primeiro excomungou a direita. Depois amordaçou a esquerda, há 15 anos acuada em obsequioso silêncio. Ele jamais condenou ou abençoou o clero progressista, mas transferiu padres e aposentou bispos dessa corrente. Esquartejou prelazias de oposição, como a Arquidiocese de São Paulo, e promoveu para postos-chave prelados de sua confiança. No Brasil, indicou dois terços dos bispos hoje na ativa. Impôs rígida disciplina nas hostes canônicas. Ceifou a democracia interna e os poderes das conferências episcopais. Todo o poder ao Vaticano, tudo girando em torno da autoridade do papa. Reafirmou os valores mais conservadores, como o celibato sacerdotal, a família mononuclear e os métodos de anticoncepção naturais. Condenou o aborto, a eutanásia, a pena de morte, a clonagem humana, a união entre homossexuais, a ordenação de mulheres e até os preservativos.

Quanto às ovelhas, mandou que os sacerdotes deixassem ir as desgarradas, mas que não transigissem nos princípios. Contudo, que aceitassem de braços abertos aqueles que são produtos da sociedade atual – os divorciados e os filhos das informais relações pós-modernas. O cardeal Eugênio Sales, ex-arcebispo do Rio de Janeiro, acredita que esse neofundamentalismo tenha dado certo. O rebanho teria ficado com a sensação de vigor e retidão ética, livrando os fiéis daquela sensação de fraqueza e de declínio que antes minava a igreja. Diz o cardeal Freire Falcão, arcebispo de Brasília: “A liderança do papa não vem da sua bondade, mas da sua firmeza. O rebanho o segue porque ele não transige e dá a certeza de que está no rumo certo”.

O balanço intelectual de João Paulo II

é também espantoso. Sua produção teológica e filosófica, por exemplo,  alça-o à condição de um dos grandes doutores da igreja, atrás, obviamente, de Santo Agostinho e Inácio de Loyola. Entre constituições apostólicas (3), encíclicas (13), cartas e exortações apostólicas, artigos e outros documentos, Wojtyla produziu de próprio punho mais de mil peças doutrinárias. A esquerda o acusa de ser mero “biblista”, um “moralista eclesiástico”, autor de uma teologia pobre e primária. Há quem pense assim. Contudo, é bom lembrar que, antes mesmo de virar papa, em meados dos anos 70, sua reputação intelectual chegava aos círculos eruditos internacionais. Foi convidado para conferências na Austrália e na Filadélfia. Em Harvard, chegou a fazer três conferências, em inglês mais que perfeito – uma das sete línguas que já dominava com fluência quando subiu ao trono.

 

POLÍTICA INTERNACIONAL.

João Paulo II empenhou a Santa Sé em um conceito inovador de direito internacional, chamado de “interferência humanitária”. Na avaliação do padre jesuíta José Carlos Aleixo, um dos fundadores do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, esse é um dos registros salutares de seu pontificado. Assim que assumiu, em 1978, Argentina e Chile preparavam-se para uma guerra sangrenta pelo controle do canal de Beagle. O sumo pontífice foi convidado a mediar um tratado de paz, e os dois países submeteram-se ao “amparo moral da Santa Sé”. Aliás, ressalta Aleixo, um primor de tratado. Houve um precedente na história quando, em fins do século 19, o papa Leão XIII fez a mediação entre Alemanha e Espanha. Mais tarde, João Paulo II pressionou os Estados Unidos e a Comunidade Européia a fazer a “interferência humanitária” quando a Sérvia promovia a “limpeza étnica” na Bósnia.

Quando ruiu o comunismo, na virada da década de 90, boa parte do mundo saudou Wojtyla como o grande vencedor de uma guerra que ele mesmo começara. Talvez a história registre esse como seu maior feito. Há livros e documentos que comprovam suas ações secretas para minar a Cortina de Ferro, como também as ajudas decisivas que emprestou aos governos Reagan e Bush, com quem se alinhou politicamente. As histórias que envolvem o regime comunista polonês valem destaque. Na primeira viagem à Polônia, ainda em 1979, ele descobriu que contava com o apoio das massas. A segunda, em 1983, em pleno “estado de guerra” e repressão decretada pelo general Jaruzelski contra o sindicato Solidariedade, foi ainda mais incerta.

Muitos gostam de acreditar que regime algum pode contra o papa. A história registra inúmeros casos de pontífices mortos ou encarcerados – Napoleão prendeu um deles. Na segunda viagem à Polônia, João Paulo II quase não abriu a boca e, quando falou, era para pregar o Evangelho ou repetir o seu bordão: “Não tenham medo”. A multidão o seguia, silenciosa, desarmada, questionando abertamente o regime. A multidão aumentava, e a Polônia inteira se rendeu a Wojtyla. Na noite do terceiro dia, Jaruzelsky mandou soltar a oposição e deu início às mudanças que, por vários motivos, resultaram na queda do Muro de Berlim. O historiador Georges Suffert fez uma observação interessante sobre o episódio: “Os governos eram, agora, obrigados a levar em conta um fenômeno que Marx não havia previsto, uma insurreição religiosa”.

 

NA SOLIDÃO DA FÉ.

Melhor saltar a triste história do menino Lolek (Carlinhos), que perdeu a mãe aos 9 anos, depois a irmã, o irmão e, por fim, o pai. Vale ressaltar, contudo, que esse homem jamais foi um eremita encastelado, frágil e ascético, mas forjou sua personalidade e posições políticas nas mais duras experiências da vida. Foi soldado da resistência ao nazismo e ator na clandestinidade. Operário, quebrava pedras para comer. Seus biógrafos o poupam da divulgação de duas informações: se ceifou vidas ou se provou da carne. Tudo indica, porém, que, até os 24 anos, tenha sido um soldado, um ator e um operário como qualquer outro de seu tempo.

Rostkowski Czeslaw, aluno de Wojtyla na Polônia, hoje é pároco em Brasília. Ambos foram filhos espirituais do cardeal Stefan Wyszynski, o grande patriarca polonês que chegou ao consistório de 1978 eleito papa, mas descarregou seus votos no pupilo de Cracóvia. Em 1991, Czeslaw dirigia a Catedral de Brasília quando João Paulo II visitou o Brasil pela segunda vez. Foi chamado para um encontro privado na sacristia. Seu relato: “Ele não me viu chegar. Flagrei-o concentrado no breviário, rezando a oração do meio-dia. Fico comovido até hoje com aquela imagem. Ele lia cada palavra com devoção, com expressão apaixonada. Jamais testemunhei tamanha fé. Tive ali a certeza de que Wojtyla acredita em tudo o que prega”.

São inúmeros os testemunhos similares sobre sua capacidade de mergulhar nas profundezas da alma. O bispo Mariano Magrassi, de Bari, certa vez relatou: “É uma experiência impressionante ver o papa no genuflexório, com a cabeça pendendo sobre sua cruz. Suas sobrancelhas se juntam. Pode-se ver seu rosto contraído no esforço de se encontrar com Deus”. Nos últimos anos, com a deterioração da saúde, João Paulo II passou a rezar mais do que nunca. Basta parar que começam as preces. Acorda às 5h e reza até a missa das 7h. Ora antes e depois do almoço, antes e depois do jantar. Mesmo no papamóvel costumava dedilhar as contas do rosário até o último instante, até o momento de sair para os aplausos da multidão, até a hora de sussurrar: “Domine, non sum dignus – Senhor, eu não sou digno”.

O Papa JoãoPaulo II falando para seus fiéis.

 

(Texto de 04 abril 2011, publicado originalmente na revista Primeira Leitura, edição de Maio 2011)

 

 

A OBRA DO PAPA

 

  1. Karol Jósef Wojtyla nasce em 18 de maio em Wadowice, Polônia. É o caçula de dois filhos de Karol Wojtyla, suboficial do Exército, e Emilia Kaczorowska.

 

  1. Com a Universidade Jagellonica, onde estudava, fechada pelas forças nazistas (na foto, Hitler) de ocupação desde 1939, Wojtyla trabalha em uma pedreira até 1944 e depois em uma fábrica da empresa química Solvay. Consegue, assim, ganhar a vida e evitar a deportação para a Alemanha.

 

  1. Começa a cursar o seminário clandestino de Cracóvia. É um dos pioneiros do clandestino Teatro Rapsódico. Em 1946, é ordenado padre.

 

  1. Conclui na França o doutorado em teologia e volta à Polônia, onde se torna vigário em diversas paróquias de Cracóvia e capelão universitário.

 

  1. Em 4 de julho, é nomeado bispo auxiliar de Cracóvia pelo papa Pio 12. 1962. Participa do Concílio Vaticano 2o e tem papel importante na elaboração do texto Gaudium et spes.

 

  1. Em 13 de janeiro, é nomeado arcebispo de Cracóvia pelo papa Paulo VI, que lhe concede o cardinalato em 1967.

 

  1. É escolhido por Paulo 6o para fazer os sermões da Quaresma, no Vaticano.

 

  1. Em outubro, é eleito o sucessor (foto) de João Paulo 1o.

 

  1. Viaja ao México, onde beija o chão, gesto que se torna sua marca. Faz histórica visita à Polônia, constrangendo o governo comunista. Publica a primeira encíclica, Redemptor Hominis, na qual discorre sobre a capacidade do homem para o bem e para o mal.

 

  1. Visita o Brasil entre 30 de junho e 12 de julho.

 

  1. Em 13 de maio, na praça de São Pedro, o turco Mehmet Ali Agca tenta assassiná-lo a tiros. Gravemente ferido, é operado durante seis horas no hospital Gemelli, em Roma (foto).

 

  1. O franciscano Leonardo Boff, teórico da Teologia da Libertação, é convocado a Roma e proibido de publicar suas idéias, num dos marcos da investida de João Paulo 2o contra a influência marxista na igreja da América Latina.

 

  1. Faz sua segunda visita ao Brasil, entre 12 e 21 de outubro.

 

  1. Acusando o Ocidente de desenvolver “uma cultura da morte”, usa sua influência para derrotar uma iniciativa de controle populacional, apoiada pelos EUA, na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento da ONU, no Cairo. Em maio, publica a carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis, na qual reafirma a proibição à ordenação de mulheres.

 

  1. Em março, publica Evangelium Vitae, considerada sua mais importante encíclica, na qual reafirma a condenação da igreja ao aborto, aos anticoncepcionais e à eutanásia.

 

  1. Visita Cuba em janeiro, e Fidel Castro troca a tradicional farda verde-oliva por um terno para recebê-lo (foto). Em outubro, publica a encíclica Fides et Ratio, na qual condena o avanço do niilismo na sociedade moderna. Também nesse ano publica a Carta aos Judeus, que reconhece a omissão de cristãos diante do nazismo.
  2. Em fevereiro, visita a Terra Santa. Em maio, no dia 13, o papa revela o Terceiro Segredo de Fátima. Segundo o Vaticano, ele previa o atentado de que João Paulo foi vítima em 1981.

 

  1. O Vaticano admite oficialmente que o papa sofre de mal de Parkinson.

 

  1. Cresce o debate sobre a sucessão.