Tudo indica que o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu ficar. Pelo menos até fim crise coronavirus. O presidente Jair Bolsonaro disse que precisa dele neste momento no qual está acossado.

Guedes acumula seis ministérios (Fazenda, Planejamento, Desenvolvimento, Previdência, Trabalho e Administração). Conquistou o Desenvolvimento Regional e vem tentando pegar a Educação.

Generais do Planalto insistem com Bolsonaro em tirar de Guedes pelo menos Desenvolvimento e Trabalho. Já cooptaram o ministro Regional para o lado deles. E querem alguém normal na Educação.

Depois do desastre Dilma, Meirelles deixou a bola na pequena área para alguém chutar a gol. Guedes assumiu o poder total com um plano ultra liberal genial:

1) Corta e vende sem critério;
2) Vende e corta até o que é estratégico e invendavel;
3) Reformas, reformas e reformas de fato necessárias;
4) Dinheiro para os bancos privados ocuparem o lugar do BNDES e do BB como indutores de empresas.
5) Nenhuma referência ao setor produtivo ou à geração de empregos.

Não deu certo, obviamente. O PIB em 2019 oscilou entre o trágico e o cômico.

Ai veio a Peste do Apocalipse. Guedes apresentou o rascunho de outro plano genial: soltar mais dinheiro para os bancos privados financiarem as empresas em dificuldades. Estas, por sua vez, seriam as responsáveis pela retomada “natural” do mercado. Ou seja, um plano de endividar ainda mais quem trabalha e produz.

O setor produtivo pediu socorro aos generais em nome da velha aliança de 1964. Os generais apresentaram um plano de emergência baseado em investimentos públicos. Lembra o nacional desenvolvimentismo do outrora, que em linhas gerais tirou o Brasil da 48a economia do mundo para 7a em apenas 20 anos.

Guedes escalou assessores para desqualificar o plano, de fato ainda rudimentar.

E está vindo ai com outro plano genial caso permaneça empoderado:

1) corta e vende
2) vende e corta
3) acelera novas reformas no Congresso (decerto com a ajuda do Centrão a ser comprado).

Por fim, reproduzo trecho do boletim de inside information TagReport.

“Desde a apresentação do plano, Guedes tenta argumentar no governo que apenas com investimentos privados será possível tentar sair da crise econômica agravada com a crise sanitária — e com a crise de confiança provocada pela confusão política instalada no país. Ele tem dito que todo o investimento público que o governo puder fazer não chegará 1% do PIB, algo muito distante do necessário.

O diagnóstico do ministro é que para atrair esses investidores será fundamental insistir em reformas, mas, principalmente, e em ritmo mais rápido, em mudança de legislação, citando os marcos regulatórios do saneamento e do setor elétrico que, segundo Guedes, travam a chegada do capital privado. Outra prioridade nessa lista é a revisão das regras do setor de óleo e gás, preferencialmente estabelecendo um modelo único, o de concessão.

A nova estratégia de Guedes ainda está no rascunho. O momento, tem dito o ministro, é de pensar apenas na Saúde, que tem toda a prioridade no gasto público. O “plano Marinho” atrapalha o ministro — sobretudo por exigir uma resposta mais rápida do chefe da Economia”.

Genial!

Caros amigos, eis O Peste do Apocalipse.