O CHORÃO BEBETO E A DINÂMICA DO GOVERNO

Bebeto, jogador da seleção tetra campeã, era um goleador, mas também era um chorão. Estava sempre a chorar quando os zagueiros adversários não deixavam que fizesse gols.

Atenção meus amigos bolsonaristas! Vocês estão iguais ao Bebeto, tomados de chororô, mimimi e blablabá. Estão a chorar que a esquerda não deixa Bolsonaro governar, que o PSol é phoda, que o Rodrigo Maia quer mandar, que são 30 anos de desgoverno da esquerda e outras baboseiras afins.

Ora, o papel político da esquerda é se opor à direita e vice versa. Foi justamente por prometer baixar o porrete no PT que Bolsonaro foi eleito. Agora não se pode ficar, tal qual o Bebeto, chorando porque é a esquerda e o centão quem estão baixando o porrete no governo.

Ora pois, o Executivo tem todos os instrumentos para controlar as bancadas, caneta por exemplo, bons projetos ou, em casos extremos, algemas para distribuir — que deveria ter sido usada desde o inicio contra os laranjas de Renan Calheiros, dentre muitos outros.

Cabe ao Bolsonaro criar um bom plano em diferentes áreas, a começar pela política, escalar o melhor time possível e cumprir o papel histórico para o qual foi eleito — fazer um bom governo de direita.

Na política, por exemplo, Bolsonaro tomou posse com mais de 2/3 da Câmara e quase 2/3 do Senado (faltaram apenas 8). Podia fazer o que bem entendesse. Tinha parlamentares de primeira a seu dispor, como Esperidião Amin e Simone Tebet, mas escalou amadores juniores calouros para articular por ele, uns tais de major Olimpio e a doida de pedra da Joice Hasselman, dentre outros de somenos importância. Deixou sua maioria de 2/3 escorrer pelos dedos e formar um bloco articulado, o tal de centrão.

No Palácio, a mesma coisa. Quando estava patente que o experiente Onyx era um incompetente, Bolsonaro escalou generais para a articulação política, doidera que nem os generais ditadores de 1964 ousaram cometer quando podiam quase tudo.

Outro exemplo: foi ele quem escolheu o Rodrigo Maia e um gordinho do Amapá, Davi de Tal, para presidir Câmara e Senado. Nhonho era então um anão político, petit merde (escrevo em francês, mais elegante) — e o outro gordinho continha sendo o “merde” do cavalo do bandido. Do jeito que a desarticulação política graça, logo-logo o povão vai decorar o sobrenome do tal Davi.

Mas Bolsonaro resolveu eleger Rodrigo, um aliado importante, como inimigo público número um — deixando os verdadeiros adversários livres, leves e soltos. Resultado: Nhonho cresceu graças a Bolsonaro e ganhou dimensões de um quase-semi-estadista, algo absurdo em condições normalidade política.

Então, meus caros amigos, ao invés de ficaram chorando porque a esquerda faz oposição a Bolsonaro, melhor cobrar do presidente que organize direito seu time político e ganhe o jogo necessário no Congresso Nacional. Pois estamos em uma Democracia Liberal, onde o Congresso faz parte relevante do sistema de três poderes. E o presidente (eleito para chororô da esquerda) precisa mostrar a que veio e entregar um pais melhor do que recebeu, apesar da oposição.

Em tempo – procurei no Google fotos do Bebeto chorando, mas só encontrei celebrando gols. Até o chorão do Bebeto marcava gols. Mais uma razão para Bolsonaro domar os parlamentares.