O livro de Bobbio já se faz novamente leitura obrigatória

 

Li essa obra de Bobbio ainda na década de 1980, assim que publicada no Brasil. Guardei meu exemplar original. Tornei-a leitura obrigatória tanto no curso de Jornalismo Político quanto na pós em Ciência Política. Mas por quê?
Ora, porque Bobbio detecta e disseca a crise de representatividade da democracia, esse modelo aí que temos com Congresso Nacional inventado há mais de 200 anos. Em outras palavras, os parlamentares europeus, americanos (e os nossos) já não nos representavam na virada das décadas de 70 para 80. Havia uma forte dissonância entre os anseios do eleitor e o trabalho dos parlamentos.

De lá para cá, as coisas só vêm piorando. O cidadão tem buscado novas alternativas de fazer política como ação coletiva. Por aqui, temos um novo presidente que chegou ao poder denunciando a “velha política” (essa aí que de fato já não nos representa) e pregando uma “nova política”. Contudo, ano e meio depois da eleição, ainda não apresentou qualquer proposta do que, afinal, seria essa tal de “nova política”.

Bobbio, um ex-comunista, conclui que apesar de suas mazelas, a democracia representativa ainda é o melhor sistema político já inventado. Tanto que coloca como subtítulo de seu livro o posicionamento: UMA DEFESA DA DEMOCRACIA.

Avalio ter chegado a hora de reler com cuidado a obra de Bobbio.