Por vezes ocorrem grandes movimentos históricos internacionais, e o atual pende para a direita. Nos Estados Unidos, deu Donald Trump; no Brasil, Jair Bolsonaro, na Grã Bretanha, Brexit, e por aí vai. Esses grandes movimentos por vezes passam por cima da lógica e até das leis, quando necessário. Viram até revoluções. No Brasil, esse movimento histórico tem sido materializado pela atual onda conservadora e moralizante. Dilma Roussef caiu, um juiz de 1ª Instância de Estado periférico vira ídolo popular e a Lava Jato consegue arrastar massas de políticos, empresários e bandidos do colarinho branco para a cadeia, incluindo o ex-presidente Lula e governadores de vários partidos, como Sérgio Cabral e Beto Richa. Como uma das resultantes, houve o expurgo do  PT nas eleições presidenciais.

No Brasil, essa onda – produto do movimento histórico internacional combinado com o esgarçamento da paciência do brasileiro comum – até agora manteve-se dentro da Constituição e das leis. Com diatribes pontuais e raras, como a divulgação do áudio entre Lula e Dilma, aquele do Bessias. Mas, no geral, essa caça aos corruptos tem se mantido dentro da legalidade.

O último alvo foi Renan Calheiros. As massas já escolheram o Judiciário é o próximo alvo, sobretudo o Supremo. Abusaram demais da nossa paciência. Acredito que os tribunais venham a ser varridos, questão de tempo. É histórico, é político.

Dentro do Supremo, o alvo preferencial é o Gilmar Mendes, seguido de Dias Toffoli, Ricardo Levandowiski e Marco Aurélio Mello, pela ordem. O cerco aos quatro já começou e o torniquete se aperta, inclusive e principalmente com a participação de instituições como Procuradoria Geral da República, o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Política Federal, no âmbito do Executivo, além do Congresso Nacional, onde deverá ser a fuzarca principal.

Pode até ocorrerem freios ocasionais, tipo Davi Alcolumbre segura hoje a CPI, amanhã Rodrigo Maia segura uma convocação, mas a qualquer hora a Lava Toga terá seu início, é uma questão de tempo. Ou por meio de uma CPI, ou por uma nova Força Tarefa do MPF + PF + Coaf. E aí muitos serão arrastados. Há muito rabo preso a ser investigado.

Quanto às firulas da lei, se Gilmar é um grande jurista, se Toffoli tem razão na interpretação da lei tal combinada com a doutrina Z,são questões de somenos relevância sob o ponto de vista histórico. Pois as leis foram propositalmente feitas por Suas Excelências paraserem interpretadas de acordo com as conveniências políticas.

Atravessamos tempos de jacobinismo, com viés de radicalização das massas conservadoras, tendo o procurador Deltan Dellagnol como nosso Robespierre mais conhecido. Estão todos decididos a levar uma suposta quadrilha que se instalou no Supremo para a guilhotina. Aposto que conseguem.