Guerras de narrativas: a popularidade cai, mas a bolsa sobe

A popularidade do presidente despencou 15 pontos percentuais em
apenas três meses. Em relação à população, significa que cerca de
30 milhões de brasileiros estão, digamos… menos animados com os
rumos do governo. Em relação ao eleitorado, são 22 milhões de
novos desanimados. E não adianta reclamar da mídia esquerdista,
da GloboLixo ou da Foice de SP. Fato é que o governo começou
transmitindo uma impressão ruim a muita gente do povão.
Paradoxalmente, as elites econômicas têm uma percepção positiva,
tanto que a Bolsa bateu 100 pontos. Como explicar o fenômeno?
Temer também teve um governo muito bom (entre 8,0 e 8,5),
imensamente melhor que o desastre Dilma, mas deixou o Planalto
com o pior índice de popularidade da história da República.
Há cinco áreas que têm transmitido a impressão de zorra total ou,
na melhor das hipóteses, de políticas públicas "erráticas" ou
"inconsistentes": Educação, Comunicação, Direitos Humanos,
Relações Exteriores e, de uns dia para cá, a Política.
Dessas cinco áreas, três estão relacionadas àquilo que Bolsonaro
chama de "guerra cultural gramsciana", mas que prefiro usar o
conceito "Guerra de Narrativas" (tomo emprestado o título do
excelente livro de Luciano Trigo, leitura obrigatória). São elas
Educação, Comunicação e Direitos Humanos. Só a Cultura não
está transmitindo má impressão.
Foi aí que Temer perdeu, quando só olhou para a Economia,
contudo, negligenciou por completo a "guerra de narrativas" nas
áreas de Educação, Cultura, Comunicação e Direitos Humanos —
justamente os campos onde o PT vem há quatro décadas nadando
de braçada.
E não adianta arrumar desculpas do tipo, "ahhh, mas Bolsonaro só
está há três meses no governo e PT teve 14 anos…". Trata-se de
uma meia verdade. Por tradição copiada dos Estados Unidos, todo
o governo tem que mostrar algum serviço na largada dos 100 dias.
Já dá para saber de onde vêm os ruídos dissonantes e as
insatisfações populares. É só abrir os olhos e encarar a verdade de
frente. Os 100 dias estão chegando. Hora de fazer ajustes e
apresentar programas consistentes em cada uma dessas áreas
problemáticas. Sob o risco de ser um governo tal qual o de Michel

Temer: muito bom na Economia, mas que levou uma goleada na
guerra de narrativas protagonizada pelo PT.