Parecer do professor Sandro Santana, da Bahia:

O historiador Hugo Studart, cumprindo a missão que cabe à sua área de estudo, escreveu um livro sobre a guerrilha do Araguaia.

A obra revela a existência de guerrilheiros que, para não tombarem ante às forças do Exército brasileiro nem serem executados pelos próprios líderes do movimento revolucionário, preferiram fazer acordo com o Estado, abandonando inteiramente a vida pregressa e passando a viver como uma nova persona. São os “mortos vivos”.

O livro está fazendo estrago desde o lançamento. Gente graúda do campo da esquerda está desesperada com a fratura exposta que a obra provoca na sua narrativa. Imagine que tem gente que recebe indenização do Governo pela morte de parentes, e de repente vem à tona a verdade: o parente não foi morto; mudou de identidade e está vivo até hoje. Que drama!

Mas para além dos dramas humanos, há também a repercussão política inevitável. Como o PCdoB vai encarar o fato de que abandonou à própria sorte, sem suprimentos e apoio algum, os jovens que cooptara para a guerrilha comunista?

A patrulha está agindo pesadamente, na tentativa de desacreditar a obra e desqualificar até mesmo que se “atreve” a comentá-la. Mas toda a presepada que tenta censurar e jogar o livro do historiador está tendo efeito inverso. A curiosidade em torno do livro só aumenta. Ao que tudo indica, estamos vendo o nascimento de um clássico da nossa historiografia.

Em respeito aos seres humanos envolvidos, vivos e mortos, de ambos os lados da história, e em respeito à própria História brasileira, é preciso que a verdade seja revelada, e de maneira integral. O trabalho de Hugo é uma contribuição inestimável à verdade histórica. Às favas interesses políticos, danem-se interesses pessoais. A verdade é filha do tempo, e o historiador honesto é o obstetra que a ajuda a vir à luz.

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