Stephen Hawking era um ateu autodeclarado que passou a vida à procura da Criação. Muitos de nós procura o Criador por meio da fé. Ele buscava a Criação por meio da inteligência lógica, da matemática e da física. Muito cedo encontrou a Teoria do Tudo, uma passagem mágica para a compreensão do Alfa e do Ômega. Trabalhou essencialmente com a autodeclarada ciência astrofísica. Quando começou a escrever seus livros, já vinha transmutando da condição de mero cientista, pesquisador acadêmico, para a de Pensador, uma espécie de Filósofo da Criação. Até ascender como o Poeta do Cosmos.

Há fortes indícios de que Hawking pertencia à escola dos estoicos. Não sei se ele se reconhecia como tal. O estoicismo foi uma escola filosófica da Grécia clássica que, em essência, deixou de lado os deuses e as religiões banais para pensar e agir por meio do conceito do Cosmos, um espaço de onde tudo vem e para onde tudo vai. Os estoicos não tinham os instrumentos para comprovar, “cientificamente”, a existência do Cosmos. Contudo, fazendo uso do pensamento abstrato, criaram a ideia de que cada homem ou ser vivo, aos quais conceituaram por “microcosmos”, seria uma materialização do Cosmos.

Quando criou sua Teoria do Tudo, quando explicou o “Universo na casca de noz” (título de um de seus livros), Hawking dava respostas às buscas metafísicas dos estoicos do outrora. Muitos tentaram fazer com que ele admitisse a existência de Deus, como antes acontecera com Einstein. Mas o Poeta do Cosmos sempre declinou com extrema educação.

Acredito que muitos já tenham ouvido falar das “inteligências múltiplas” conceituadas por Gardner, em Harvard. Pelo menos já ouviram falar da “inteligência emocional”. Gardner ousou separar as inteligências em 7: lógico matemática, musical, cinestésica, interpessoal, etc. Recentemente, sua escola em Harvard apresentou mais duas inteligências, a sistêmica e a existencial. De início, batizaram a 9ª inteligência  de Espiritual. Mas recuaram e rebatizaram de Existencial. Ela trata da capacidade que algumas pessoas têm, sobretudo sacerdotes e filósofos, de buscar respostas para a Criação: de onde vim, onde estou, o que estou fazendo aqui, para onde vou?

Tal qual Einstein, Stephen Hawking é reconhecido como um gênio da inteligência lógico-matemática. Contudo, tal qual os melhores filósofos e sacerdotes, ouso afirmar que era também um gênio da inteligência existencial.

E ainda que tenha passado a vida se autodeclarando ateu, o que importa é que sua obra em busca da Criação transcende a ciência e a lógica e ajuda a nos levar ao encontro do Criador.