Por Hugo Studart
Entrei em casa e encontrei minha filha com olhos marejados. Pensei que fosse desilusão amorosa. Servi um licor que ela gosta, Parfait Amour, a coloquei no colo e fiz um monte de cafuné, sem nada perguntar, esperando que ela começasse a se abrir.
Então falou. Estava desesperada com o Mestrado. Na sexta feira tem que entregar texto 10 páginas de um livro autor difícil, um tal de Arthur Danto. Só tinha conseguido fazer dois parágrafos e travou. Travou e começou a chorar. À medida em que ela contava seu desespero, eu dava gargalhadas. Ufffa. Passei por coisas piores no meu mestrado. E ja tinha mais de 40. Tomei meu uísque com calma.
Até que me sentei com ela e a entrevistei sobre o conteúdo do livro. E sobre suas próprias idéias a respeito do que seria arte ou lixo. Então pedi que pegasse um papel. Fui sugerindo o conteúdo de cada parágrafo. Item por item. Exatamente como eu fazia com meus repórteres quando travavam. O sorriso foi voltando ao rosto. Ela agora começou a escrever o artigo. Já sabe o que fazer. Deve adentrar a noite no computador.
Quanto a mim, estou a pensar: Ahhh, como é bom ser pai…