Uma das minhas grande paixões avassaladoras
Por Hugo Studart
Desde domingo, quando aqui publiquei um desabafo sobre a lucidez que se encontra dentro das cuecas, muitas amigas, inúmeras, têm perguntado quem é a tal amante secreta e malvada que teria me jogado no caminho da perdição e depois, perversa, sangrou meu coração. Muitas especulações. Seria uma Lolita? Ou seria casada? Por qual razão resta oculta? Nada disso. Não era amante. Nem secreta. Muito menos perversa. E era uma relação pública e saudável.
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Seu nome é Valéria, artista plástica respeitada, mãe de três filhos quase-criados, divorciada de um velho amigo. Discreta, elegante, culta, inteligente, dona de um texto profundo, surpreendente. Cheguei a propor escrevemos um livro juntos.
Conhecemo-nos em fins de junho. Muito rápido, ela me pediu em namoro; aceitei. Entendemo-nos extremamente bem. Nossas Cabeças e corpos. Senti-me como se voltasse a ser um cavaleiro hussardo de 30 anos. Só por isso, já merece ser resguardada com carinho. Uma noite, ainda no início, eu, sempre sonhador, perguntei sobre seus sonhos. Olhou nos olhos e respondeu: “Envelhecer junto de alguém”.
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Foram 7 1/2 Semanas de paixão.
Nada foi secreto. Ela conheceu minha filha e eu, dois filhos dela. Saímos com alguns amigos e passei a conhecer pelo nome alguns de seus 15 gatos.
E tão rápido como começou, muito rápido passamos a observar dissonâncias (quase) intransponíveis. Havia intimidade e afinidade. Mas não deu tempo de construir cumplicidade. Muito mais cumplicidade houve com minha relação anterior — a quem magoei e, acho, ainda não me perdoou. Valéria, mais racional, foi quem tomou a iniciativa de rascunhar o ponto final.
Fiquei muito triste por uns dias. Passei a tomar florais para perdas. Realizei minha catarse. É nesse contexto que se encaixa o texto (tardio) sobre a lucidez nas cuecas.
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Ela já está bem, seguindo seu caminho. Vai ficar melhor ainda; o Destino sempre lhe foi generoso. Que Deus lhe conceda o desejo de envelhecer junto com algum homem bom e carinhoso. Também já estou na Luz, renascendo, terminando de atravessar a ponte entre uma história que se foi e outra que vem.
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Resguardando essa experiência, intensa e breve, com carinho. Afinal, sempre fui um sonhador. E ainda sou um poeta, como aquele desenhado por Fernando Pessoa:
“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente.
Que chega a fingir que é dor.
A dor que deveras sente”