Por Hugo Studart
Há grandes homens que são como pirâmides: projetam um cone de sombras. Há mulheres pequenas, louras ou morenas, que são como faróis: projetam um cone de luz. Luz de dimensão maior que sua silhueta.
Isto posto, vou explicar aos amigos porque esta mulher é tão linda por dentro. Chama-se Ana Solino, professora de Literatura por profissão, narradora de histórias para crianças por vocação.
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Nos últimos tempos, passei por grandes provações. E naquelas horas nas quais imaginamos atravessar o Vale das Sombras, ou nos momentos de meras tristezas, simples dúvidas, era quase sempre em Ana Marize que eu ia buscar a Luz.
Escutava com atenção meus desabafos, limpava feridas, enxugava lágrimas. Sorriso doce nos lábios e no coração. Já me colocou no colo e depois serviu chá. Em outras, narrou histórias de crianças, com direito a entonação teatral de voz e movimentos de corpo. Que delícia! Certa vez, tarde da noite, levou-me numa capela que fica aberta 24 horas para que eu pudesse bater um papo com o Criador. Na maior parte das vezes, apenas bebemos cerveja e falamos sobre banalidades a fim de celebrar a vida. No meu último aniversário, levou-me para jantar para que a data não passasse em brancas nuvens.
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Muito tenho recebido dessa mulher de olhos azuis — e pouco retribuído. Recentemente, refleti sobre quando e por que gosto de estar com ela. Já tive a chance de lhe dizer: quando preciso de paz e luz.
Estava lhe devendo um agradecimento. Espero que esta singela homenagem pública lhe caia bem. Pois é a melhor amiga que alguém pode ter.