Por Hugo Studart

Eis o local onde foi executada e enterrada DINAELZA SANTANA (Maria Diná), guerrilheira desaparecida no Araguaia. Esclareço aos amigos que em 2009 conheci uma grande mulher, Diva Santana, q desde 1980 vem procurando pelos restos mortais da irmã, como também de outros guerrilheiros. Diva é a Representante Oficial (eleita) dos Familiares dos Desaparecidos Políticos em quase todas as instâncias oficiais, como a Comissão de Mortos e Desap do Min Justiça, e no Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), que busca os corpos por determinação judicial. Entre 2009 e 2012 fiz parte do GTA como ouvidor e representante da UnB, por indicação do então reitor José Geraldo de Souza. Entramos juntos em muitas corrutelas, eu, Diva, Merces Castroe seu marido Jadiel Camelo, como Myrian Luiz Alves, outra companheira de pesquisas. Passei a respeita-las, admirá-las, viramos amigos.

Em determinado momento, busquei em Brasília antigas fontes militares q pudessem dar pistas sobre o paradeiro da irmã de Diva e do irmão de Merces (Theodoro Castro). Questão pessoal, em respeito às duas. Consegui pistas sobre ambos. O caso de Theo, já publiquei aqui no Face dias atrás. Foi executado junto com Cilon Brum, irmão de Lino Brum. Faltava compartilhar o caso da Dinaelza.
Abaixo, trechos do Relatório que preparei para o GTA em Ago 2012, e que deveria ter sido entregue à juiza Solange Salgado, da 1ª Vara Federal em Brasília, autora da sentença que obriga o Estado a buscar os desaparecidos. Vamos lá:

5 – Ponto: SÃO SEBASTIÃO
Provável(is) Desaparecida (os): Dinaelza Santana (Maria Diná) e outros
Ouvidor(es): Hugo Studart, Diva Santana, Mercês Castro e Jadiel Camelo
Colaborador(es): Jeca do Jorge, Iomar Galego, Antônia Galega e Anísio Rodrigues da Silva

HISTÓRICO: A área ficava entre as terras dos irmãos Iomar e Pedro Galego, e de Arlindo Piauí, casado com Maria Galega. Era um dos poucos pontos da região, próxima a São Geraldo, onde um helicóptero poderia pousar dispondo ao mesmo tempo de apoio logístico de moradores, confiança e discrição. Trata-se, portanto, de uma provável área de execução de prisioneiros. Sabe-se hoje, pelo trabalho de ouvidoria, que pelo menos uma guerrilheira foi executada na área, Dinaelza Santana, podendo haver pelo menos outro desaparecido.
Já na primeira Expedição do GTT, o morador Zeca do Jorge mostrou uma área atrás da atual casa-sede, próximo a uma mangueira, mas não se escavou por conta da imprecisão e do fato dele não ter sido testemunha ocular, mas apenas “ouviu falar”.
Depois, o ouvidor Studart procurou um militar, fonte de suas pesquisas, buscando informações sobre onde Dinaelza fora executada e enterrada. Recebeu a informação de que fora uma área perto da casa de Arlindo Piauí. Ou seja, a informação casava com o apontamento do morador Zeca do Jorge.

Na sequência, Studart levou o colaborador Iomar Galego à área. Como já relatado, Iomar morava na área na época da guerrilha. Ele contou se lembrar de ter visto ossadas à flor da terra e a enterrou. Acreditou ser os restos mortais de Dinaelza, segundo lhe informaram os próprios militares naquela época.
Iomar indicou um ponto acima da árvore e atrás da casa, ou seja, um pouco diferente do ponto que Zeca do Jorge “ouvira falar”, contudo, muito próximo. Escavou-se na área, nada sendo encontrado.
Posteriormente, Diva Santana encontrou D. Antônia Galega (viúva do mateiro Arlindo Piauí e irmã de Iomar), que indica um local diferente do irmão, na frente da casa e próximo a uma grota. Escavou-se, nada sendo encontrado. Depois, Diva Santana leva à fazenda Roberto Carimã, que apontou em uma área próxima à mangueira, sendo então escavado.
Nesta expedição, Mercês, Jadiel e Studart descobrem ainda, em trabalho de ouvidoria, que o ex-guia Anísio viu uma mulher ser levada à mata por uma equipe de militares, escutou os tiros e, depois da retirada dos militares, foi ao local dos tiros, encontrando uma cova rasa. Estava acompanhado de outro morador chamado Adão .

Os três ouvidores (Merces, Jadiel e Studart) levaram Sr. Anísio ao local. Quando procurou a área, encontrou resquícios de um possivel jatobá e indicou a área provável onde avistou a cova. Sr. Anísio retornou no dia seguinte com Diva, Studart e uma equipe de geólogos.
Observa-se que são cinco indicações em duas áreas distintas. Três indicações atrás da casa e no alto; duas indicações próximas à grota e à estrada. Podemos, portanto, estar tratando de dois diferentes restos mortais. O que é bem possível, tendo em vista que aquela era uma das poucas áreas com morador de confiança dos militares onde um helicóptero poderia pousar com prisioneiros.

Chances de Encontrar: Pequenas.

1) Sabe-se que a Operação Limpeza priorizou as execuções, sendo que São Sebastião é uma área de acesso muito fácil para o recolhimento de restos mortais. É bem provável, pela análise histórica, que a área tenha sido “limpa”;
2) Enterrado em cova bastante rasa;
3) Tecnicos do GTT encontraram indícios de trator na área.
4) Dona Antônia e Iomar Galego, por sua vez, garantem que os militares não terial retornado à área durante a Operação Limpeza, e que os restos mortais teriam ficado lá.

Sugestões de Providências: Ouvidoria procurar e buscar o Sr. Adão, pegar novamente D. Antônia Galega, e tentar novos apontamentos, comparando-os com o de Anísio. Só depois avaliar se é o caso de escavar novamente. Atualizar as informações no Relatório oficial de avaliação de pontos do GTA.